sábado, 18 de setembro de 2010

Ser civilizado

Várias coisas na nossa vida acontecem por puro "acaso" (embora várias pessoas prefiram designar esse acaso de formas diferentes). Por acaso, um dos textos que estudei exaustivamente para a prova do mestrado foi  O processo civilizador : formação do Estado e civilização de Norbert Elias.

De acordo com Elias, através de uma seqüência de acontecimento, que não foi racionalmente estruturada, mas também não se reduz a aleatoriedade, chegamos a chamada Civilização (no sentido de convivermos de forma mais ou menos pacifica em nossa sociedade). E é justamente a partir da convivência e inter-relação na sociedade, da necessidade de contato com outras pessoas, que essa noção de comportamento civilizado é construída e enraizada em nós. Assim, há mudanças na psicologia coletiva, assim como na individual (a construção das proibições e permissões durante a infância, por exemplo), que gera o autocontrole individual: a noção do que podemos fazer e do que não podemos fazer; a inibição de paixões e sentimentos, através da previdência (racionalização), que nos informa o que poderia acontecer caso quebrássemos alguma "regra" do social.

Um exemplo citado por Elias é a vergonha: modeladora da economia de nossas pulsões, é um tipo de ansiedade que se reproduz automaticamente nas pessoas em determinadas situações.

"O conflito expressado pelo par vergonha-medo não é apenas um choque do indivíduo com a opinião social prevalecente: seu próprio comportamento colocou-o em conflito com a parte de si mesmo que representa essa opinião. É um conflito dentro de sua própria personalidade. Ele mesmo se reconhece como inferior" ( p. 242)

Ontem, falando com a mamãe pelo telefone, ela me contou que o Guilherme (meu sobrinho com 1 ano e 10 meses) ama correr pelado pela casa... 

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Essa semana foi impossível não pensar em Norbert Elias...



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