Ontem, sentada em frente a uma garagem:
Mas, também, ao sentir nossa alma doente, atribuímos a cada ser, a cada objeto, seu valor de milagre. Uma mulher que dança sem pensar, uma garrafa sobre a mesa, vista por trás de uma cortina: cada imagem torna-se um símbolo. A vida nos parece refletir-se ali por inteiro, na medida em que nossa vida se resume a esse momento.
Albert Camus, O Avesso e o Direito
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
pode ser viável, que qualquer um tenha escapado ao seu canto, mas certamente não a seu silêncio...
deformações precisas...
As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio. É certo que nunca aconteceu, mas seria talvez concebível que alguém tivesse se salvado de seu canto; de seu silêncio, jamais. O sentimento de tê-las vencido com as próprias forças, a avassaladora arrogância daí resultante, nada neste mundo é capaz de conter.
Kafka, O Silêncio das Sereias.
As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio. É certo que nunca aconteceu, mas seria talvez concebível que alguém tivesse se salvado de seu canto; de seu silêncio, jamais. O sentimento de tê-las vencido com as próprias forças, a avassaladora arrogância daí resultante, nada neste mundo é capaz de conter.
Kafka, O Silêncio das Sereias.
sábado, 27 de agosto de 2011
Jude (and the dream of horses)
While he remained, his face changing, shouts and hurrahs came from somewhere in the direction of the river.
"Ah -yes! The Remembrance games," he murmured. "And I here. And Sue defiled!"
The hurrahs were repeated, drowning the faint organ notes. Jude's face changed more: he whispered slowly, his parched lips scarcely moving:
"Let the day perish wherein I was born, and the night in which it was said, There is a man-child conceived."
("Hurrah!")
"Let that day be darkness; let not God regard it from above, neither let the light shine upon it. Lo, let that night be solitary, let no joyful voice come therein."
("Hurrah!")
"Why died I not from the womb? Why did i not give up the ghost when I came out of the belly? ... For now should I have lain still and been quiet. I should have slept: then had I been at rest!"
("Hurrah!")
"There the prisoners rest together; they hear not the voice of the oppressor... The small and the great are there; and the servant is free from his master. Wherefore is light given to him that is in misery, and life unto the bitter in soul?"
Thomas Hardy. Jude the obscure
terça-feira, 28 de junho de 2011
Camus V
Um dia um amigo (isso faz muito tempo) me chamou de melancólica, e falou que em momentos de extrema melancolia, eu deveria ler poemas.. Nunca gostei de poemas.
Ouvi dizer que Bolinhos de Legumes com ovo frito e molho de cebola também cura melancolia...
De tempos em tempos surge vontade, sei lá de onde, de sair. Sem rumo. Sem carga. Com uma roupa não comum, uma bolsa a tiracolo e cachecol. Sair comigo. Sozinha. Mas, quando saiu assim, com meus pensamentos me acompanhando, sempre penso e voltar... E, de fato, sempre volto. Das última vez, voltei com Camus. E foi tão real, tão coincidente e aleatório ao mesmo tempo. Tão meu.
Melancolia para mim é doce, eu gosto...
“Acordou um pouco mais tarde. O silêncio à sua volta era total. Mas, nos limites da cidade, cães enlouquecidos uivavam na noite muda. Janine teve um arrepio. Virou-se novamente sobre si mesma, sentiu o ombro duro do marido de encontro ao seu e, de repente, semi-adormecida, aconchegou-se contra ele. Ficava à deriva no sono sem nele penetrar, agarrava-se a esse ombro com uma avidez inconsciente como o mais seguro dos portos. Falava, mas sua boca não emitia nenhum som. Falava, mas mal ouvia a si própria. Só sentia o calor de Marcel. Havia mais de 20 anos, todas as noites, assim, no seu calor, sempre os dois, mesmo doentes, mesmo em viagens, como agora... Aliás, o que teria ela feito sozinha em casa? Nenhum filho! Não era isso que lhe faltava? Ela não sabia. Acompanhava Marcel, eis tudo, contente em sentir que alguém precisava dela. Ele não lhe dava outra alegria a não ser a de saber necessária. Certamente não a amava. O amor, mesmo cheio de ódio, não tem esse rosto descontente. Mas qual é o rosto do amor? Amavam-se no meio da noite, sem se verem, tateando. Existiria outro amor que não o das trevas, um amor que gritasse em plena luz do dia? Não sabia, mas sabia que Marcel precisava dela, e que ela precisava desse precisar, que vivia disso noite e dia, sobretudo à noite, quando ele não queria ficar só, nem envelhecer, nem morrer, com o ar teimoso que assumia e que ela às vezes reconhecia no rosto dos outros homens, a única semelhança entre esses loucos que se escondem sob os disfarces da razão, até que o delírio se apodere deles atirando-os desesperadamente na direção de um corpo de mulher onde enterram, sem desejo, o que a solidão e a noite lhes mostram de terrível.
Marcel mexeu-se um pouco como para se afastar dela. Não, ele não a amava, simplesmente tinha medo do que não era ela, e deveriam ter se separado há muito tempo para dormirem sós até o fim. Mas quem consegue dormir sempre sozinho? Alguns homens, que a vocação ou a infelicidade afastaram dos outros, o fazem, e dormem então todas as noites no mesmo leito até a morte. Marcel, por sua vez não poderia fazê-lo nunca, sobretudo ele, criança fraca e desarmada, que o sofrimento sempre desorientava, seu filho, justamente, que precisava dela (...)”
Camus, A Mulher Adúltera.Seguirei sempre pensando em Albert...
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domingo, 19 de junho de 2011
Camus IV
Encontro-me, novamente, com Camus...
"Sua exaltação a havia abandonado. No momento, sentia-se grande demais, espessa demais, branca demais também para esse mundo onde acabava de entrar. Uma criança, uma moça, o homem seco, o chacal furtivo eram as únicas criaturas que podiam pisar silenciosamente essa terra. Que faria ela ali, de agora em diante, senão arrastar-se até o sono, até a morte?"
Camus...
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Shields up...
E se hoje minha garganta esta irritada, sei muito bem o porquê: É por ser medíocre, por estar frustrada, por me sentir culpada, por querer o que não posso ter. Dói porque sorrio, sou simpática, educada, porque tudo “esta bem”. Nunca desabo. Desabo: Sinto como se uma mão gigante tivesse arrancado meu coração e ainda estivesse mexendo lá dentro...
...
Meu escudo é branco...
...
Meu escudo é branco...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Camus III
Repito para mim mesma mil vezes ao dia. Escrevo a caneta em meu corpo a noite e apago pela manhã, antes de ir trabalhar: "A sensação é efêmera; tudo na vida é questão de acostumar-se; duas semanas são ínfimas perto de dois meses de alegrias (bobas, mas reais); distraia-se com livros, filmes, sexo, pessoas, drogas, musicas... Distraia-se, habitue-se, esqueça-se, alegre-se..."
...
"Nos primeiros dias do asilo, chorava muitas vezes: Mas era por causa do hábito. Ao fim de alguns meses, choraria se a tirassem do asilo, ainda devido ao hábito."
"Acabamos por nos habituar a tudo, gostava a minha mãe de dizer..."
Camus, O Estrangeiro.
...
Mas eu ainda sinto (e sinto cada vez mais forte) a sensação de não-pertencer...
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Valium and Candies...
Eu sou uma romântica. Minto, fui.
Ou sou, não sei... Sei que em meio a minhas férias, com a l.e.r. me atacando o braço direito, com a cabeceira da cama cheia de livros trazidos de Curitiba e mais alguns indicados por amigas queridas, agora de noite (quase de madrugada) fui tentada por uma vontade de ler Meszáros. Tinha que ler. Antes do medievo, e até mesmo de Foucault, foi minha paixão. Sabia exatamente qual eu queria ler. Um presente. Ele fica em meio a bagunça de cartas, pedras tiradas do jardim, chave do antigo apartamento, tíquetes de cinema, de supermercado, de viagens (e foram tantas), tampas de garrafa, um pedaço de corda (inesquecível), carteiras vazias de cigarro, fotos... Presentes que na perspectiva do Capital não teriam valor algum: não reificado, livre de estruturas materiais e relações fetichizadas, mas que para um romântico (ou apaixonado, não sei) o valor é tão grande, que mesmo depois de quase cinco anos, este se emocionaria ao ver, tocar, sentir o cheiro...
De fato, não sei quando o deixei de ser, me tornei bruta, racional. Mas não sou romântica. Não mais...
Ou sou, não sei... Sei que em meio a minhas férias, com a l.e.r. me atacando o braço direito, com a cabeceira da cama cheia de livros trazidos de Curitiba e mais alguns indicados por amigas queridas, agora de noite (quase de madrugada) fui tentada por uma vontade de ler Meszáros. Tinha que ler. Antes do medievo, e até mesmo de Foucault, foi minha paixão. Sabia exatamente qual eu queria ler. Um presente. Ele fica em meio a bagunça de cartas, pedras tiradas do jardim, chave do antigo apartamento, tíquetes de cinema, de supermercado, de viagens (e foram tantas), tampas de garrafa, um pedaço de corda (inesquecível), carteiras vazias de cigarro, fotos... Presentes que na perspectiva do Capital não teriam valor algum: não reificado, livre de estruturas materiais e relações fetichizadas, mas que para um romântico (ou apaixonado, não sei) o valor é tão grande, que mesmo depois de quase cinco anos, este se emocionaria ao ver, tocar, sentir o cheiro...
De fato, não sei quando o deixei de ser, me tornei bruta, racional. Mas não sou romântica. Não mais...
domingo, 30 de janeiro de 2011
-Porque esta preso num emprego chato e sem futuro?
-Eu não sei...
-Porque o seu chefe sempre grita com você?
-Não consigo entender...
-Porque a sua vida é esse completo desastre?
-Quer parar de pegar no meu pé?
-Porque perguntar o porquê?! ? Beba Álcool! Ninguém gosta de um pensador, você pode não conseguir mudar a sua vida, mas pode mudar o jeito que a vê! Álcool, quanto mais você bebe, menos você pensa!
11:45
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Camus II
Entre a beleza gratuita, o calor e a miséria, achamos sensualidade...
" ... e eu deixei-me ficar assim: Tinha o céu inteiro nos olhos, e o céu estava azul e dourado."
Albert Camus, O Estrangeiro
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Camus I
Um gesto como este se prepara no silêncio do coração, da mesma forma que uma grande obra. O próprio homem o ignora.
(...)
Não se pode desejar palavra mais exata [minado]. Começar a pensar é começar a ser minado. (...) O verme se acha no coração do homem. É ali que é preciso procurá-lo. É preciso procurá-lo. É preciso seguir e compreender esse jogo mortal que arrasta a lucidez em face da existência à evasão para fora da luz.
Albert Camus. O Mito de Sísifo.
Ai, ai, Camus.. não me tente....
(...)
Não se pode desejar palavra mais exata [minado]. Começar a pensar é começar a ser minado. (...) O verme se acha no coração do homem. É ali que é preciso procurá-lo. É preciso procurá-lo. É preciso seguir e compreender esse jogo mortal que arrasta a lucidez em face da existência à evasão para fora da luz.
Albert Camus. O Mito de Sísifo.
Ai, ai, Camus.. não me tente....
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