segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Camus III

Repito para mim mesma mil vezes ao dia. Escrevo a caneta em meu corpo a noite e apago pela manhã, antes de ir trabalhar: "A sensação é efêmera; tudo na vida é questão de acostumar-se; duas semanas são ínfimas perto de dois meses de alegrias (bobas, mas reais); distraia-se com livros, filmes, sexo, pessoas, drogas, musicas... Distraia-se, habitue-se, esqueça-se, alegre-se..."

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"Nos primeiros dias do asilo, chorava muitas vezes: Mas era por causa do hábito. Ao fim de alguns meses, choraria se a tirassem do asilo, ainda devido ao hábito."

"Acabamos por nos habituar a tudo, gostava a minha mãe de dizer..."
Camus, O Estrangeiro.

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Mas eu ainda sinto (e sinto cada vez mais forte) a sensação de não-pertencer...



  

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Valium and Candies...

Eu sou uma romântica. Minto, fui.

Ou sou, não sei... Sei que em meio a minhas férias, com a l.e.r. me atacando o braço direito, com a cabeceira da cama cheia de livros trazidos de Curitiba e mais alguns indicados por amigas queridas, agora de noite (quase de madrugada) fui tentada por uma vontade de ler Meszáros. Tinha que ler. Antes do medievo, e até mesmo de Foucault, foi minha paixão. Sabia exatamente qual eu queria ler. Um presente. Ele fica em meio a bagunça de cartas, pedras tiradas do jardim, chave do antigo apartamento, tíquetes de cinema, de supermercado, de viagens (e foram tantas), tampas de garrafa, um pedaço de corda (inesquecível), carteiras vazias de cigarro,  fotos... Presentes que na perspectiva do Capital não teriam valor algum: não reificado, livre de estruturas materiais e relações fetichizadas, mas que para um romântico (ou apaixonado, não sei) o valor é tão grande, que mesmo depois de quase cinco anos, este se emocionaria ao ver, tocar, sentir o cheiro...

De fato, não sei quando o deixei de ser, me tornei bruta, racional. Mas não sou romântica. Não mais...

 
 
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