Repito para mim mesma mil vezes ao dia. Escrevo a caneta em meu corpo a noite e apago pela manhã, antes de ir trabalhar: "A sensação é efêmera; tudo na vida é questão de acostumar-se; duas semanas são ínfimas perto de dois meses de alegrias (bobas, mas reais); distraia-se com livros, filmes, sexo, pessoas, drogas, musicas... Distraia-se, habitue-se, esqueça-se, alegre-se..."
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"Nos primeiros dias do asilo, chorava muitas vezes: Mas era por causa do hábito. Ao fim de alguns meses, choraria se a tirassem do asilo, ainda devido ao hábito."
"Acabamos por nos habituar a tudo, gostava a minha mãe de dizer..."
Camus, O Estrangeiro.
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Mas eu ainda sinto (e sinto cada vez mais forte) a sensação de não-pertencer...




