sexta-feira, 5 de novembro de 2010

99,00

 - Todos os acontecimentos - dizia às vezes Pangloss a Cândido - estão devidamente encadeados no
melhor dos mundos possíveis; pois, afinal, se não tivesses sido expulso de um lindo castelo, a pontapés
no traseiro, por amor da senhorita Cunegundes, se a Inquisição não te houvesse apanhado, se não tivesses percorrido a América a pé, se não tivesses mergulhado a espada no barão, se não tivesses perdido todos os teus carneiros da boa terra do Eldorado, não estarias aqui agora comendo doce de cidra e pistache.
- Tudo isso está muito bem dito - respondeu Cândido, - mas devemos cultivar nosso jardim.
 Voltaire. Cândido, ou o otimismo.


(...) Se pudéssemos compreender a ordem do universo suficientemente bem, descobriríamos que ela ultrapassa todos os desejos do mais sábio de nós, e que é impossível que ela seja melhor do que é , não somente para o todos em geral, mas ainda para nós próprios em particular (...)”
 Leibniz. Princípios de filosofia ou Monadologia.


Ahh, Leibniz!!!  Ahh, Pangloss-Leibniz-ironizado-por-Voltaire, aposto que nunca, em um único dia, um estranho te cuspiu, sua meia-calça desfiou, uma das poucas pessoas com quem você se importa te decepcionou, e você decepcionou uma das poucas pessoas que se importa realmente com você. Além disso você esqueceu sua nécessaire de maquiagem, sua escova de dentes e seu estojo com seu material e óculos em casa e uma carteira quase cheia de Camel com o namorado, e a única coisa aceitável que te acontece nesse dia é ter tomado um baita banho de chuva no caminho para casa. Isso tudo considerando que em menos de 48 horas antes, você estava se sentindo a pessoa mais feliz do mundo pelo menos nos últimos dois anos.


E pensar que, após todos esses conflitos, só consigo pensar nisso:


"Minha capacidade para ser feliz poderia ser colocada numa caixa de fósforos, sem tirar os fósforos antes."
  Douglas Adams, O Guia do Mochileiro das Galáxias (não lembro em qual exatamente)



Mas, o mais deprê mesmo é lembrar disso: 

"In a world like this, where there is no kind of stability, no possibility of anything lasting, but where everything is thrown into a restless whirlpool of change, where everything hurries on, flies, and is maintained in the balance by a continual advancing and moving, it is impossible to imagine happiness. It cannot dwell where, as Plato says, continual Becoming and never Being is all that takes place. First of all, no man is happy; he strives his whole life long after imaginary happiness, which he seldom attains, and if he does, then it is only to be disillusioned; and as a rule he is shipwrecked in the end and enters the harbour dismasted. Then it is all the same whether he has been happy or unhappy in a life which was made up of a merely ever-changing present and is now at an end."
 Arthur Schopenhauer, The Emptiness of Existence.


  
Ai, ai... preciso muito ir pra casa....

    

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